Estereótipos são um péssimo modo de descrever alguém, mas é impossível falar de Mel sem evocar o dito popular de que toda baixinha é invocada. Com o pouco tamanho, ela faz barulho como ninguém mas sabe calar-se para conseguir o que deseja. Aos sete anos de idade, a pequena tem muitas histórias para contar. Foi ainda recém-nascida, vinda de uma longa linhagem de cinco irmãos, que Mel chegou a residência da família Rocha, ostentando um lindo laço vermelho no pescoço. Hoje ela renega a sua origem fashion e se recusa a vestir vestidos e casacos, mesmo que esteja frio. “Não quero ser uma escrava da moda, prefiro ser eu mesma”, ela afirma. Com traços de personalidade forte, Mel se define como simpática e brincalhona, e conta que logo se adaptou e conquistou aqueles com quem convive. Sua maior aventura foi ainda criança, quando fugiu de casa, deixando os seus familiares desesperados, que recorreram a cartazes de “desaparecidos” afixados pela região central de Montes Claros, cidade onde reside. Poucos dias depois, Mel foi reconhecida por um rapaz que a levou de volta para casa. “Era jovem e queria explorar o mundo, mas acabei ficando perdida”. A idade não corrompeu o seu espírito aventureiro, e sempre que encontra uma oportunidade, Mel gosta de dar uma “fugidinha”, como a própria descreve.

Mel 3×4: “Sou cachorra, sou gatinha”
Não é fácil conquistar sua afeição: Mel detesta prestadores de serviço e inúmeras queixas de ataques à entregadores de gás, água, pintores e pedreiros foram feitas aos seus superiores. Questionada sobre os incidentes, ela evita falar sobre o assunto. “Prefiro não falar muito, mas não gosto de gente estranha invadindo o meu território. Quando cheguei aqui, a forma de delimitar minha área era diferente. Gostava de deixar meu cheiro na entrada da casa, mas sofri muitas represálias e tive que abandonar o hábito”, declara. Mel não hesita em cravar seus caninos fortes e afiados naqueles que se aproximam dos seus entes queridos e tem até uma área preferida de ataque, que está quase sempre exposta e vulnerável: a canela. Ciumenta, os seus traços possessivos são resquícios de uma relação amorosa mal resolvida. Ainda adolescente, Mel teve um rápido envolvimento com um misterioso e desconhecido rapaz de características semelhantes as delas. O resultado da aventura foi uma gestação de risco que mudou radicalmente a sua vida. Em uma experiência de quase morte, ela perdeu dois filhos que esperava e precisou passar por cirurgias complicadas. Desde então, Mel se desiludiu com o amor e preferiu não ter outros relacionamentos, apesar da matilha de admiradores que a observam diariamente na porta de casa.

Flagrada em um dos seus momentos favoritos do dia
A maturidade chegou em forma de pelos grisalhos, mas ela mantêm o seu jeito moleca e adora crianças. Com uma energia invejável, ela conta que um dos seus segredos é a boa alimentação. Após enfrentar problemas de sobrepeso – ela culpa as “beliscadas” que dava em pães e bolos no decorrer do dia -, a fonte da juventude e vitalidade está na comida para filhotes e frutas. “Banana é minha comida favorita e ainda evita cãibras.” Ela adora correr mas conta que não foi isso que a deixou em forma. “Quando estou sozinha em casa, faço greve de fome”. Fora a corrida, ela também admira o futebol: fanática pelo Clube Atlético Mineiro, os vizinhos se assustam com o escândalo que faz quando o seu time joga. Quando não está se dedicando a caça à mosquitos e pardais, os seus hobbys são dormir e tomar sol. “Tem que ter muita vitamina D pra manter o cabelinho brilhante”, ela diz. “Também gosto muito de assistir televisão, meus programas favoritos são “O encantador de cães” e “Family Guy”. Acho o Brian um cachorrão!”. o que gosta mesmo é de receber carinho. Mesmo com o temperamento difícil, ela se derrete com um “cafuné” até de quem a conhece há pouco tempo. Apesar das mordidas, tudo que ela anseia é receber amor de todos. Mel cativa com o seu jeito único e todos relevam os seus defeitos ao perceber a moça dócil e companheira que é. Quando indagada sobre o que acha da sua vida, sua resposta é rápida e concisa: “Estou longe de ter uma vida de cão”.

Mel frequentou a escola Gato de Botas e tornou-se especialista em cara de pidona