…Like Clockwork

Desde que a Internet se concretizou como um reduto de reclamações e saudosismo, não é raro encontrar declarações que dizem que não existe mais boa música sendo produzida atualmente e que bom mesmo eram as bandas de antigamente. Claro, não tem como discordar de que tem muita música horrível por ai e que existem bandas antigas que são excelentes. Mas além de um equívoco, esse tipo de fala acaba sendo de uma preguiça em níveis absurdos. Existem ótimas bandas sim, e basta estar de ouvidos abertos pra descobrir isso.

 

Mesmo não sendo mais tão nova – eles surgiram em 97, na Califórnia -, o Queens of The Stone Age é uma das bandas mais legais da atualidade e que vai lançar disco novo esse ano. …Like Clockwork sai oficialmente no dia 3 de junho, mas como são tempos modernos  e além de reduto de saudosismo e reclamações, a Internet também é onde os álbuns circulam antes do lançamento, o CD já está disponível em vários sites de downloads. Depois de quinze anos e cinco discos, é difícil se surpreender com uma banda, mas o …Like Clockwork é uma ótima surpresa.

O disco foi gravado com a mesma formação do excelente Songs for the  Deaf de 2002: Josh Homme, Nick Oliveri, Mark Lanegan e Dave Grohl e tem participações especiais de Elton John, Trent Reznor e Alex Turner. Smooth Sailing é uma das melhores músicas do CD.

E ainda tem gente que enche a boca pra dizer que o rock morreu há muito tempo. Bobagem: o que morreu foi a só avirtude de esquecer que bandas como os Jonas Brothers existem e dar mais ouvidos aos QoTSA da vida.

 

Eu não sou cachorra, não

Estereótipos são um péssimo modo de descrever alguém, mas é impossível falar de Mel sem evocar o dito popular de que toda baixinha é invocada. Com o pouco tamanho, ela faz barulho como ninguém mas sabe calar-se para conseguir o que deseja. Aos sete anos de idade, a pequena tem muitas histórias para contar. Foi ainda recém-nascida, vinda de uma longa linhagem de cinco irmãos, que Mel chegou a residência da família Rocha, ostentando um lindo laço vermelho no pescoço. Hoje ela renega a sua origem fashion e se recusa  a vestir vestidos e casacos, mesmo que esteja frio. “Não quero ser uma escrava da moda, prefiro ser eu mesma”, ela afirma.  Com traços de personalidade forte, Mel se define como simpática e brincalhona,  e conta que logo se adaptou e conquistou aqueles com quem convive.  Sua maior aventura foi ainda criança, quando fugiu de casa, deixando os seus familiares desesperados, que recorreram a cartazes de “desaparecidos” afixados pela região central de Montes Claros, cidade onde reside. Poucos dias depois, Mel foi reconhecida por um rapaz que a levou de volta para casa. “Era jovem e queria explorar o mundo, mas acabei ficando perdida”. A idade não corrompeu o seu espírito aventureiro, e sempre que encontra uma oportunidade, Mel gosta de dar uma “fugidinha”, como a própria descreve.

Mel 3×4: “Sou cachorra, sou gatinha”

Não é fácil conquistar sua afeição: Mel detesta prestadores de serviço e inúmeras queixas de ataques à entregadores de gás, água, pintores e pedreiros foram feitas aos seus superiores. Questionada sobre os incidentes, ela evita falar sobre o assunto. “Prefiro não falar muito, mas não gosto de gente estranha  invadindo o meu território. Quando cheguei aqui, a forma de delimitar minha área era diferente. Gostava de deixar meu cheiro na entrada da casa, mas sofri muitas represálias e tive que abandonar o hábito”, declara. Mel não hesita em cravar seus caninos fortes e afiados naqueles que se aproximam dos seus entes queridos e tem até uma área preferida de ataque, que está quase sempre exposta e vulnerável: a canela. Ciumenta, os seus traços possessivos são resquícios de uma relação  amorosa mal resolvida. Ainda adolescente, Mel teve um rápido envolvimento com um misterioso e desconhecido rapaz de características semelhantes as delas. O resultado da aventura foi uma gestação de risco que mudou radicalmente a sua vida. Em uma experiência de quase morte, ela perdeu dois filhos que esperava e precisou passar por cirurgias complicadas. Desde então, Mel se desiludiu com o amor e preferiu não ter outros relacionamentos, apesar da matilha de admiradores que a observam diariamente na porta de casa.

Flagrada em um dos seus momentos favoritos do dia

A maturidade chegou em forma de pelos grisalhos, mas ela mantêm o seu jeito moleca e adora crianças. Com uma energia invejável, ela conta que um dos seus segredos é a boa  alimentação. Após enfrentar problemas de sobrepeso – ela culpa as “beliscadas” que dava em pães e bolos no decorrer do dia -, a fonte da juventude e vitalidade está na comida para filhotes e frutas. “Banana é minha comida favorita e ainda evita cãibras.” Ela adora correr mas conta que não foi isso que a deixou em forma. “Quando estou sozinha em casa, faço greve de fome”. Fora a corrida, ela também admira o futebol: fanática pelo Clube Atlético Mineiro, os vizinhos se assustam com o escândalo que faz quando o seu time joga. Quando não está se dedicando a caça à mosquitos e pardais, os seus hobbys são dormir e tomar sol. “Tem que ter muita vitamina D pra manter o cabelinho brilhante”, ela diz. “Também gosto muito de assistir televisão, meus programas favoritos são “O encantador de cães” e “Family Guy”. Acho o Brian um cachorrão!”. o que gosta mesmo é de receber carinho. Mesmo com o temperamento difícil, ela se derrete com um “cafuné” até de quem a conhece há pouco tempo. Apesar das mordidas, tudo que ela anseia é receber amor de todos. Mel cativa com o seu jeito único e todos relevam os seus defeitos ao perceber a moça dócil e companheira que é. Quando indagada sobre o que acha da sua vida, sua resposta é rápida e concisa: “Estou longe de ter uma vida de cão”.

Mel frequentou a escola Gato de Botas e tornou-se especialista em cara de pidona

Awesome People Playing Together #6: B.B. King

Riley Ben King já nasceu com o título de nobreza no nome, mesmo enfrentando a pobreza americana das plantações de algodão no Mississippi. O “Blues Boy” B.B. King é um dos guitarristas mais talentosos do mundo e logo ganhou o merecido título de Rei do Blues.  Além de participar de apresentações de vários artistas, B.B. King gravou, em comemoração aos seus 80 anos, o disco B.B. King & Friends com participações de Billy Gibbons, John Mayer, Sheryl Crow e Mark Knopfler e outros. Eric Clapton também participou do disco e gravou com ele o ótimo disco Riding with the King.

The Thrill is Gone – B.B. King e Stevie Wonder 

Rock me baby – B.B. King e Jeff Beck

I can’t quit you baby – B.B. King e Buddy Guy

A Day In Life

Não lembro exatamente quando foi o meu primeiro contato com as músicas dos Beatles, mas acredito que a primeira vez que escutei uma canção dos rapazes de Liverpool foi em um tecladinho de plástico vermelho, que tinha quando era criança. O repertório era variado, e no meio de cantigas natalinas e barulhos que imitavam animais, lá estava Let it be. Em um ritmo estranho e com arranjos bizarros, mas estava. Eu adorava escutar a música e inventar letras, bater nas pequenas teclas do piano e fingir que estava tocando. Não sabia de quem era e nem fazia idéia o que significava, mas aquela melodia ficou gravada em minhas lembranças. Até que cresci (mas não muito),  e anos depois quando comecei a estudar inglês, meu pai me deu o disco Double Fantasy, do John Lennon com a Yoko Ono, e me pediu para traduzir a letra Woman. Com a tradução, vieram muitas outras músicas e não demorou para descobrir que o John teve uma banda, e uau, eles eram bons! Alguns professores também gostavam muito de usar músicas e  os Beatles estavam em suas aulas. E mesmo tendo o seu fim vinte e dois anos antes que eu nascesse, continuavam sendo mencionados e evocados com saudosismo e alegria. Não pra menos: é  impossível não se contagiar pelos nananas de Hey Jude ou os inúmeros ié-ié-iés de tantas outras canções.

Quando um disco dos Beatles – provavelmente daquelas coletâneas de 20 maiores sucessos – foi parar em minhas mãos, logo reconheci “a musiquinha do pianinho”. É sempre bom reencontrar pedacinhos de sua vida por acaso, mas bobagem foi achar que ficaria só por isso. Numa daquelas sensações que não conseguimos explicar, as músicas dos Beatles foram tornando-se parte da minha vida. Com a Internet, a discografia inteira dos Beatles estava a poucos cliques de distância. E aos poucos, fui dissecando os treze discos da banda, encontrando esporadicamente um novo tesouro em forma de música. E o mais incrível é que sempre tem uma música dos Beatles que se encaixa perfeitamente em algo que você está passando. Existem canções divertidas, tristes, alegres ou revoltadas. Algumas delas sempre se encaixam. Assim, de alguns anos para cá, eles estiveram sempre presentes. Em momentos de amor, de raiva ou de felicidade.  Músicas sem sentimentos são apenas mais músicas em meio de tantas outras. Em certos momentos, a emoção transmitida por algo é capaz de sobressair à técnica e qualidade – e mais importante: ao tempo. Sim, é quase impossível desviar dos tantos clichês sobre “as músicas que marcaram várias gerações” ou sobre “uma das maiores bandas do mundo”, mas se com amor vale a tentativa, bem, é por isso que estou aqui.

Foto: Veja BH

A maioria dos eventos que presenciamos em nossas vidas, ainda que sejam incríveis e extraordinários, não é dificilmente narrada. São raros aqueles que nos roubam as palavras e o fôlego. Depois de tentativas frustradas de assistir outros shows e a espera que com o chegar dos dias só ficou maior, finalmente chegou o dia de ver o Paul McCartney. Fui esperando um espetáculo legal, escutar algumas das minhas músicas favoritas dos Beatles e outras de sua carreira solo. Mal sabia o que me esperava. Quando o ex-Beatle soltou os primeiros acordes de Eight Days A Week todas as horas na fila e as noites mal dormidas pela ansiedade desapareceram. Assim, nos primeiros segundos. E é impossível explicar precisamente o que aconteceu no Mineirão na noite do dia quatro de maio. Foi uma noite linda, cheia de surpresas e agrados as quase 53 mil pessoas que estavam presentes. E também cheia de amor. Além de ser o beatle simpático, Paul também é o beatle romântico, que dedicou música à esposa e a ex-mulher. E admito que sou chorona, mas duvido que houve uma pessoa ali que não se emocionou. Paul homenageou o John Lennon e lembrou George Harrison de uma forma tão simples e sincera que era quase impossível não derrubar algumas lágrimas várias vezes. Uma sensação boa tomou conta de todos que estavam ali. Rostos desconhecidos marcados pela idade ou pela inocência vindos dos mais variados lugares transformaram-se em uma voz forte e emocionada. É desnecessário tentar substantivar aquelas sensações: tudo seria em vão. Em alguns momentos do show, as projeções que faziam palco cessavam e as únicas luzes no estádio eram dos celulares que estavam lá. E todo mundo acabou se tornando pequenas estrelas diante de uma imensidão que é o talento, a simpatia e a grandeza do Paul McCartney.

É um daqueles dias únicos e catárticos que você sente de tudo e fica feliz por estar ali. Daqueles dias que é impossível não se emocionar ou se apaixonar. Dias que vão para a vida toda.

A música do pianinho vermelho :)